Os peixes do Rio Araguaia: os cinco mais pescados

Dicas de pesca · · Luiz Pirarara

Pescador com uma Piraíba no Rio Araguaia, em Luiz Alves (GO)

O Rio Araguaia é um rio muito piscoso, com uma variedade de espécies que dá gosto. Mas, na prática da pesca esportiva aqui em Luiz Alves (GO), cinco peixes respondem pela maior parte das pescarias. São esses cinco que eu vou apresentar hoje, um por um: onde cada um vive, como cada um briga e o que muda na sua tralha.

Peixe Nome científico Onde se pesca Porte no Araguaia
Piraíba Brachyplatystoma filamentosum No canal, água funda Até 2,30 m e cerca de 120 kg
Pirarara Phractocephalus hemioliopterus Mais no barranco Peixe grande e pesado
Tambaqui Colossoma macropomum Nos lagos e no rio Em geral de 4 kg para cima
Mandubé (Palmito) Ageneiosus inermis Em quase todo o rio Porte médio
Dourada (Apapá) Pellona castelnaeana Na linha da água Até uns 7 kg

1. Piraíba, o cartão de visita do Araguaia

Piraíba (Brachyplatystoma filamentosum) pescada no Rio Araguaia, em Luiz Alves (GO)
A Piraíba é o peixe que traz o pescador de fora para o Araguaia. Foto do acervo do Araguaia Receptivo, em Luiz Alves (GO).

A Piraíba hoje é o cartão de visita da pesca esportiva no Rio Araguaia. É um peixe que aqui pode chegar a 2,30 metros e uns 120 quilos, e a pesca dela no Araguaia é diferenciada.

Começo por uma coisa que pouca gente comenta: a reprodução da Piraíba ainda é um mistério para todos nós. Não há comprovação de onde ela desova. Quase todos os peixes do Araguaia fazem a desova nos lagos de boca franca, que são os lagos ligados ao rio de forma permanente, no mesmo nível dele, recebendo água e oxigênio o tempo todo. Com a Piraíba não há como evidenciar isso ainda. A reprodução dela é em número menor, e a gente não sabe muito sobre a quantidade.

Ela vive nas águas mais profundas, no canal principal do rio, onde a água é mais funda e tem mais oxigênio. É um peixe veloz, e peixe veloz precisa de mais oxigênio. Por isso a pesca dela é sempre feita no canal.

E aqui entra a característica do Araguaia que mais confunde quem vem de outros rios: o Araguaia não tem declive nos barrancos. São águas que se acumulam num vale sempre nivelado e vão drenando. O resultado é que o canal principal altera o curso de um dia para o outro.

Por isso a pesca da Piraíba não acontece sem os guias. Dificilmente alguém pega uma Piraíba no Araguaia sem o trabalho de um guia de pesca.

Nessa busca, o próprio jeito de pescar foi mudando por causa dos predadores. A Piraíba pede isca viva, e aí as piranhas querem comer a isca. E não só elas: como se pesca com um peixe de uns 300 a 500 gramas de isca, o boto vai atrás também.

A técnica que os guias desenvolveram é ficar longe da isca. Solta a isca na água e sobe o rio uns 200 metros desenrolando linha, para o boto não encontrar. O boto segue a canoa, e a isca já ficou para trás. Isso exige tralha pesada, que comporte bastante linha, sempre monofilamento 0,90 mm. Eu explico essa técnica em detalhe em como pescar Piraíba no Rio Araguaia.

Pescar uma Piraíba causa muita emoção. Tem gente que dispara o coração e precisa de um tempo para se refazer. Não existe quem tenha pegado a primeira Piraíba e não tenha se emocionado muito.

2. Pirarara, a segunda mais procurada

Pirarara (Phractocephalus hemioliopterus) pescada no Rio Araguaia, com o rabo vermelho característico
A Pirarara é reconhecida de longe pelo rabo vermelho e pela lateral amarelada. Foto do acervo do Araguaia Receptivo, em Luiz Alves (GO).

Em segundo lugar vem a Pirarara, também um peixe grande, pesado e muito interessante. A diferença é onde ela pega: a Pirarara pega mais nos barrancos, embora também venha no meio do rio.

É um peixe que costuma abrir a pescaria. Às vezes a pessoa começa pegando Pirarara para depois passar para a Piraíba. Às vezes vai atrás de uma Piraíba, não pega naquele dia, mas pega uma Pirarara. E é maravilhoso: peixe pesado, bonito, emocionante.

Faço questão de dizer uma coisa: não é como pescar num pesqueiro. A briga de uma Pirarara do Rio Araguaia é muito diferente da briga de um peixe de pesqueiro.

Sobre a tralha, ela pega na mesma vara e na mesma linha da Piraíba: vara de aproximadamente 120 libras e monofilamento 0,90 mm, agora com anzol 10/0 a 12/0. O que muda bastante é a chumbada: cada momento e cada local pedem um peso diferente, e escolher a chumbada apropriada faz diferença no dia.

3. Tambaqui, o invasor que virou o terceiro mais pescado

Tambaqui (Colossoma macropomum), espécie invasora no Rio Araguaia
O Tambaqui não era peixe do Araguaia e hoje já é o terceiro mais pescado. Foto: w_endo, Wikimedia Commons (CC0).

Agora vamos ao que está acontecendo de mais interessante entre os peixes grandes do Araguaia. O Tambaqui é um peixe invasor: ele não era peixe do Rio Araguaia. É natural da bacia Amazônica, e a explicação mais aceita é que tenha chegado aqui por escapes de pisciculturas em épocas de cheia. Pesquisadores já confirmaram ovos e larvas dele no Araguaia, ou seja, ele está se reproduzindo no rio, e hoje existe até um projeto científico acompanhando essa expansão.

Na prática da pescaria, ele também faz a desova nos lagos e gosta de permanecer neles. A pesca dele se dá no lago e no rio, diferente da Piraíba e da Pirarara, que a gente pesca só no rio. Nos meses de abril e maio ele está fortemente dentro dos lagos de boca franca. Depois se espalha pelo rio, pegando bem em alguns lugares e em outros não.

É um peixe muito forte e muito brigador, chega a quebrar anzol. E são sempre peixes grandes: hoje quase não se pega pequeno, pega em torno de quatro quilos para cima.

Por ser invasor, ele é o único dessa lista que pode ser levado para casa, desde que a pessoa tenha a licença de pesca. Mas acontece uma coisa bonita no Araguaia, que é o contrário do que era antigamente: uns 90% dos pescadores que vêm hoje são adeptos da pesca esportiva e da cota zero. Mesmo sabendo que pode levar o Tambaqui, não levam. E é justamente isso que ajuda no tamanho dos peixes que vão ficando no rio.

4. Mandubé, o Palmito

Mandubé, também chamado de Palmito (Ageneiosus inermis)
O Mandubé, chamado de Palmito fora do Araguaia, é o peixe do dia a dia do ribeirinho.

O Araguaia tem dois peixes menores que carregam um peso importante na pescaria. O primeiro é o Mandubé, que em alguns lugares fora do Araguaia chamam de Palmito.

O nome Palmito veio da carne: branca, macia e muito saborosa, que nem palmito. Nada a ver o gosto do peixe com o gosto do vegetal, é a textura. É um peixe gostoso, consumido localmente nas refeições, e há quem diga que é o melhor peixe de água doce que existe, que não há peixe tão completo e tão perfeito.

E ele tem a sua briga também. Serve bem para quem não quer pegar peixe muito grande, que é uma parte dos pescadores que vem para cá e ninguém costuma lembrar.

Para nós, ribeirinhos, o Mandubé é o principal peixe. E não é só porque podemos comer. É principalmente porque ele se pega o ano inteiro. Dificilmente deixa de ter Mandubé em algum local do Rio Araguaia, em alguma época.

5. Dourada, que na verdade é o Apapá

Dourada, ou Apapá (Pellona castelnaeana), pescada no Rio Araguaia
Aqui a gente chama de Dourada pela cor. O nome principal da espécie é Apapá. Foto do acervo do Araguaia Receptivo, em Luiz Alves (GO).

O quinto peixe é a Dourada. E aqui vale um esclarecimento de nome, porque confunde muita gente: o nome principal dela é Apapá. Aqui no Araguaia a gente chama de Dourada pela cor, que é sem dúvida um dourado amarelado.

Só que ela não é o Dourado. Não é um peixe grosso como o Dourado e não atinge o peso dele. A Dourada do Araguaia chega a uns sete quilos.

Ela pesca em cardume, e isso faz dela uma pesca esportiva maravilhosa. Encanta tanto que o pescador não quer nem pegar outro peixe: pega uma atrás da outra. E ela briga demais. O boto briga junto, tentando tomar a Dourada do pescador quando ele enrola a linha. Diverte muito.

A pesca dela é próxima do canal e próxima do barranco, naquilo que a gente chama de linha da água: aquela marcação que se forma no encontro da água calma com a água bem corrente, delimitada pelos bancos de areia do Araguaia. Quem sabe ler essa linha, acha o cardume.

A Dourada também pode ser consumida. Assada, é uma delícia.

Esses cinco, por hora

É importante saber que esses são cinco peixes muito buscados na pescaria, mas é claro que há muitas outras espécies. O Rio Araguaia é muito piscoso, e hoje a gente não vai falar dos outros. Falamos desses cinco por hora.

Se você quer acertar a data de cada um deles, eu montei um calendário com a melhor época de pesca peixe por peixe. E se está começando a montar a viagem, dá uma olhada em como chegar a Luiz Alves e nos nossos pacotes de pesca no Araguaia.

O receptivo de turismo de Luiz Alves, o Araguaia Receptivo, facilita e possibilita a pesca de todos esses peixes, sempre colocando os serviços para aproximar o desejo de pescar no Araguaia da realização desse sonho.

Muito obrigado, e boa pescaria no Rio Araguaia.

Luiz Pirarara, consultor de pesca no Rio Araguaia

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